O paralítico da piscina
Em Jerusalém havia uma piscina chamada Betesda. Dizia a tradição que ela desfrutava do privilégio de ter suas águas periodicamente movimentadas por seres invisíveis, que lhes concediam poder curador.
Todo aquele que se banhasse nelas, em primeiro lugar, seria beneficiado com a recuperação da saúde.
Por isso mesmo, aquele era um lugar sagrado para onde acorriam os enfermos desenganados, os pedintes ociosos.
O espaço era disputado pelos infelizes que buscavam o milagre da facilidade.
Alguns dos pacientes daquele lugar já tinham de tal modo se acomodado à sua situação que simplesmente ali ficavam para pedir esmolas.
Assim era com aquele homem que há 38 anos estava paralítico. Todos os dias a sua cama era para ali conduzida.
Realmente, ele já não acreditava na cura. Voltava sempre porque ali se distraía, observando a multidão a se movimentar. Ali conversava, dormia, tornando menos solitária sua vida. E esmolava...
Há muito desistira de ficar à borda da piscina para se jogar quando ocorresse a movimentação das águas.
Aquele era um lugar de fé e o homem já não a tinha. Desencantara-se. Nada mais lhe parecia importante.
Foi quando Jesus, dirigindo-Se à cidade dos profetas tomou-Se de compaixão por aquela desditosa e imensa massa humana.
Deteve-Se e observou o paralítico em seu catre de miséria. Conhecedor da alma humana, o interrogou:
Queres ficar são?
O enfermo se desculpou, dizendo que não tinha ninguém que o lançasse na piscina, quando a água se agitasse.
Era uma mera desculpa. Se o quisesse verdadeiramente, ficaria próximo à borda e se jogaria, tão logo percebesse o movimento das águas.
Jesus lhe penetrou o íntimo e nele leu que aquela criatura já expungira todas as suas dores e débitos passados, em quase quatro décadas de sofrimentos e limitações.
E lhe ordenou:
Levanta-te, toma o teu catre e anda.
O paciente foi tomado pela surpresa. Sentiu que novas forças o dominavam. Ergueu-se, tomou a maca e começou a andar, recuperado.
Explodiu de alegria e as exclamações lhe brotaram dos lábios, sensibilizando a todos que o observavam.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Jesus encontrou o antigo enfermo no Templo e lhe disse:
Foste curado. Não tornes a errar para que não te suceda alguma coisa pior.
A terapia do amor o libertara da escravidão, porém, se fazia necessária a mudança moral para que o equilíbrio não lhe tornasse a faltar.
* * *
A piscina de Betesda, em Jerusalém, era uma cisterna, alimentada por uma fonte natural, cuja água parece ter tido propriedades curativas.
Em certas épocas, a fonte jorrava com força, agitando a água. Segundo a crença popular, esse era o momento mais propício às curas.
Possivelmente, ao jorrar a água, mais ativas fossem as suas propriedades. Como as ciências estavam pouco adiantadas, os judeus da época acreditavam que era um anjo que provocava a agitação das águas.
Redação do Momento Espírita, com base no item 22, do cap. XVI, do livro A gênese, de Allan Kardec e no cap. 15 do livro Dias venturosos, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Comentários
Magda Bunjes
Gostaria de agradecer e parabenizar a todos voces responsaveis por este site pela disposiçao na internet de tantas mensagens e pensamentos de tantos autores que ja passaram por esta exixtencia terrena .. é realmente um passeio deslumbrante pela alma humana !
Obrigada e Parabens .
Raquel Freitas Paes Barreto
e maravilhoso e tranquilizante ler todas as mensagens
Antonio Celso Poltronieri
São muitos os ensinamentos que colhemos deste episódio.No primeiro realça o fato fisico da cura,
que ultrapassa todo o entendimento humano;no segundo
o ensino moral que a Nova Revelação salienta e explica,tal como nenhuma outra filosofia é capaz de
fazer.Apoderosa ação de Jesus,cuja autoridade sobre
os espíritos maléficos era estraordinária,aliada á
manipulação dos fluidos atmosféricos convertidos em
substância medicamentosa,explica a cura do enfermo há
tantos anos paralítico.A fluidoterapia já representa
hoje um papel de destaque na medicina e os próprios
médicos não desconhecem o seu valor,embora lhe dêem
outros nomes como sugestão,hipnotismo,etc.Esse método
de curar foi usado pelos apóstolos e discípulos de
Jesus,e os médiuns-curadores dele se utilizam atualmente com grande proveito.(parte extraida do livro:Parábolas e ensinos de Jesus)de Cairbar Schutel.