Tornando-se claro
Por Momento Espírita
Quantas vezes, durante um simples dia, nos servimos da palavra claro?
Quando afirmamos que faremos o que nos pedem, que estaremos presentes na reunião marcada, sintetizamos com Claro.
Se nos questionam sobre a veracidade de um fato, dizemos: Claro, como sinônimo de afirmação imediata.
Esse vocábulo tem mais de sessenta significados. E o convite que a vida nos faz vai além da superfície dos dicionários e das nossas conversas rotineiras.
É para que possamos, na intimidade do nosso ser, dia após dia, nos tornarmos claros.
Trata-se de um processo contínuo de libertação e de despertar. É permitir que a luz do entendimento dissipe, com suavidade, as sombras que ainda habitam o nosso mundo interior.
É compreender que somos Espíritos imortais, viajantes do universo, fadados à perfeição. Nossas asas espirituais não foram forjadas para a gaiola do comodismo ou da pequenez.
Ser claro é expandir os horizontes, sem as barreiras que nós mesmos nos impomos.
É realizar o trabalho silencioso de limpar a vidraça do próprio coração. É retirar, com a flanela do perdão, o pó do ressentimento, a fuligem da mágoa e a espessa teia de aranha do egoísmo.
Dessa maneira, a luz do amor poderá nos atravessar e iluminar o próximo.
Não significa ter a presunção de possuir todas as respostas do universo, mas abrigar a fé inabalável de que o leme de nossa vida está em boas mãos.
Ser claro é confiar na pedagogia divina, sabendo que cada lágrima e cada sorriso são lições perfeitamente desenhadas para o nosso burilamento moral.
É permitir que o rio da bondade flua através de nós, sem as pesadas pedras do orgulho a barrar a correnteza. É nos tornarmos instrumento dócil da paz, um canal desobstruído por onde a misericórdia flui, facilitando a jornada daqueles que caminham ao nosso lado.
É perdoar a nós mesmos. Compreender que o erro cometido foi apenas o degrau áspero e doloroso que nos ensinou a subir.
Ser claro é recusar carregar o peso esmagador de um passado que não pode ser alterado, utilizando, em vez disso, suas duras lições para retificar o presente.
Tornar-se claro é, sobretudo, adotar uma postura íntima de coragem e de renovação. É tomar a decisão consciente de não alimentar os monstros da ansiedade e do pavor, criados pelas ilusões da nossa mente.
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Enfrentemos as situações, por mais desafiadoras, com a serenidade de quem sabe que toda tempestade é passageira.
Não estamos sós. O Criador do universo, em Seu amor incondicional, sustenta cada um de nossos passos.
Ele sussurra coragem na brisa suave da manhã, oferece consolo no silêncio repousante da noite e derrama bênçãos de recomeço a cada novo amanhecer.
Aceitemos esse inadiável convite. Retiremos, um a um, os véus que nos encobrem e deixemos brilhar a centelha divina que trazemos guardada no peito.
Tornemo-nos claros como a água pura da fonte, claros como a verdade que liberta, claros como o amanhecer que triunfa, invariavelmente, sobre a mais escura e longa das noites.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Tornando-se claro, do livro As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante